A importância dos Acordos Comerciais Multilaterais para a Melhoria da Governança Ambiental no Brasil

Marcelo D. Varella, Caroline Lima Ferraz, Caroline Lima Ferraz

Résumé


Os acordos comerciais multilaterais são essenciais para conferir efetividade à governança ambiental no Brasil. Este artigo parte da hipótese de que tais acordos funcionam como mecanismos de compliance exógeno que reconfiguram a correlação de forças políticas internas, criando condições para que grupos pró ambiente superem resistências estruturais ao controle do desmatamento e das queimadas. O mecanismo causal opera em três etapas: o acordo estabelece exigência de conformidade ambiental com prazo determinado e consequências econômicas mensuráveis; incorpora ao debate atores econômicos exportadores que passam a pressionar internamente pelo cumprimento, pois sua competitividade externa disso depende; e reduz o custo político de reformas regulatórias antes bloqueadas por grupos de interesse contrários. A análise compara três foros. No tocante à Organização Mundial do Comércio, o contencioso dos pneus recauchutados (DS 332) ilustra o mecanismo em sua forma plena, ao desaguar na ADPF 101 e na proibição geral de importação. A OCDE atua de modo mais difuso, por revisão por pares e constrangimento reputacional, com cogência limitada por seu caráter de soft law. O Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia representa a instância mais robusta, por prever solução escalonada de controvérsias e suspensão de preferências tarifárias. Conclui-se que, pela primeira vez de forma articulada, os incentivos econômicos externos alinham-se à agenda de fortalecimento institucional ambiental, configurando condição estrutural para a manutenção do acesso ao mercado europeu.

Mots-clés


Acordos Regionais, Proteção ao Meio Ambiente, Acordo Mercosul União Europeia, OCDE

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DOI: https://doi.org/10.5102/rdi.v23i1.10929

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