Uso de estimulantes cognitivos por estudantes de medicina de um Centro Universitário privado do Distrito Federal

Luiz Fernando Arantes de Souza, Antoinette Oliveira Blackman

Resumo


Este trabalho trata-se de um estudo transversal, que investigou a prevalência e os fatores associados ao uso de estimulantes cognitivos entre estudantes de medicina de um centro universitário privado do Distrito Federal. A pesquisa foi realizada com 73 acadêmicos, utilizando um questionário online autoexplicativo que abordou questões sociodemográficas, padrões de uso de substâncias psicoativas e consequências biopsicossociais. O perfil dos participantes revelou predominância do sexo feminino (68,5%), faixa etária entre 21-24 anos (50,7%), autodeclaração de cor branca (79%), alta renda familiar (63%) e distribuição no ciclo clínico (40,3%). Os estimulantes foram categorizados em dois grupos: estimulantes de prescrição (metilfenidato, sais de anfetamina e modafinil) e estimulantes livres (cafeína e bebidas energéticas). Os resultados demonstraram alta prevalência do uso de estimulantes, com 38,4% dos estudantes utilizando estimulantes de prescrição, sendo que 50% destes relataram uso sem prescrição médica. Ademais, 41,4% dos usuários de estimulantes de prescrição combinavam essas substâncias com cafeína ou bebidas energéticas, uma prática potencialmente perigosa devido ao aumento do risco cardiovascular. As consequências adversas identificadas incluíram forte associação estatística entre o uso de estimulantes de prescrição e alterações de humor (OR 6,3), dificuldade para dormir (OR 4,5) e tremores (OR 3,28). Preocupantemente, 79,3% dos usuários desenvolveram dependência psicológica e sintomas de ansiedade. Os fatores motivacionais revelaram pressão social significativa, com 30,9% dos estudantes relatando pressão de colegas para usar substâncias de aprimoramento cognitivo. O ambiente acadêmico competitivo foi identificado como principal fator desencadeante por 69,1% dos participantes, enquanto 44,1% referiram pressão familiar inadequada. Conclui-se que o uso não médico de estimulantes cognitivos representa um desafio de saúde pública entre estudantes de medicina, com impactos diretos na saúde mental e potenciais consequências na qualidade da formação médica. Enfatiza-se a necessidade urgente de programas educacionais sobre os riscos, suporte psicológico institucional e estratégias de enfrentamento do estresse acadêmico, bem como políticas governamentais específicas para abordar essa problemática crescente no ensino superior médico.

Palavras-chave


Estimulantes Cognitivos; Metilfenidato; Cafeína; Estudantes de Medicina; Saúde Mental.

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DOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10920

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