Percepção do preparo em saúde mental dos profissionais de saúde da atenção básica do Distrito Federal

Camila Beatriz de Lima Ferreira, Conrado Carvalho Horta Barbosa

Resumo


A saúde mental constitui, na atualidade, um dos mais relevantes desafios de saúde pública, sendo responsável por elevados índices de incapacidade e comprometimento da qualidade de vida em âmbito global. No Distrito Federal, o cenário revela-se particularmente preocupante: no contexto pós-pandêmico, observou-se acentuado aumento da demanda por cuidados, sem que a estrutura e a capacitação da Atenção Primária à Saúde (APS) tenham evoluído de forma proporcional. Este estudo, inédito na região, apresenta uma análise criteriosa acerca da percepção, preparo e práticas dos profissionais da APS frente às demandas em saúde mental, destacando lacunas críticas e oportunidades estratégicas para o aprimoramento do cuidado. Foram avaliados 34 profissionais atuantes em cinco Unidades Básicas de Saúde (UBS) vinculadas ao Centro Universitário de Brasília (CEUB), por meio de questionário estruturado com abordagem quantitativa e qualitativa. Os achados indicaram que 82% dos participantes lidam com frequência com casos de sofrimento psíquico, embora 65% não se considerem plenamente preparados para conduzir casos de maior complexidade. Destacaram-se, como fragilidades, a ausência de treinamentos recentes (53%), a integração insuficiente com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) (54,8%), o predomínio de práticas medicalizantes (61,4%) e barreiras estruturais como a indisponibilidade de psicólogos em tempo integral (61%) e a limitação do tempo destinado à escuta qualificada (68%). O “sentimento de impotência” diante de situações graves, notadamente em risco de suicídio, foi recorrente nos relatos. Mais do que uma descrição situacional, esta pesquisa oferece subsídios consistentes para a formulação e implementação de políticas públicas, a otimização dos fluxos assistenciais e o desenvolvimento de programas contínuos de educação permanente, visando ao fortalecimento da atuação multiprofissional e à consolidação de um cuidado integral, humanizado e resolutivo. Ao evidenciar, com rigor científico, a urgência do investimento em qualificação profissional e na plena integração da RAPS, o presente estudo configura-se como instrumento estratégico para a transformação do cuidado em saúde mental no SUS e para a redução da morbimortalidade associada aos transtornos mentais.

Palavras-chave


saúde mental; atenção primária; capacitação profissional; rede de atenção psicossocial; políticas públicas.

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DOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10897

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