O uso e abuso de álcool por estudantes da área da saúde do UniCEUB e afiliação religiosa: uma análise comparativa

Ana Lídia de Almeida Santos, Anna Beatriz Zapalowski Galvão, Eliana Mendonça Vilar Trindade

Resumo


Há um consenso no contexto científico de que o ingresso na faculdade promove o desenvolvimento de autonomia e da individualidade, contudo, advém juntamente com maior vulnerabilidade ao uso de substâncias lícitas e ilícitas, sobretudo o álcool. Os estudantes da área da saúde possuem maior tendência ao início de consumo de bebidas etílicas ou ao aumento do padrão de ingestão se já feito previamente. Isto ocorre devido à pressão e dilemas sofridos que aumentam a frequência de sintomas psiquiátricos entre estes, como depressão e ansiedade, as quais tendem a aumentar no decorrer do curso. Foi percebido uma lacuna teórica que analise comparativamente os cursos da área da saúde, bem como a avaliação da influência do coping religioso no padrão de ingesta alcoólica. Este projeto realiza uma análise comparativa entre o consumo de álcool por estudantes de 4 diferentes cursos da área da saúde em uma universidade privada do Distrito Federal e a sua relação com a afiliação religiosa. O estudo foi realizado a partir de uma etapa quantitativa, por meio da aplicação de formulário com questionário sócio demográfico e escalas validadas, AUDIT e Escala de Atitude Religiosa, para a análise dos determinantes biopsicossociais que influenciam no padrão de consumo de bebidas, o nível de consumo e atitude religiosa, além de uma etapa qualitativa, que consistiu em entrevistas em grupo focal e em entrevistas de profundidade. A triangulação de métodos consiste na utilização de diferentes abordagens, a fim de garantir uma abordagem ampla, ampliando a compreensão e permitindo comparação e complementaridade de dados, reduzindo vieses e possibilitando um estudo com resultados mais concisos. Observa-se que apesar do conhecimento técnico dos estudantes da área da saúde sobre os efeitos negativos do álcool, sendo estes, físicos, psicológicos e pessoais, o uso desta substância é extremamente frequente e aceito socialmente entre os universitários, muitas vezes sendo realizado de forma abusiva. O início do consumo de álcool, por pessoas que antes não faziam seu uso, ocorre de forma predominante nos primeiros semestres da faculdade e, a intensificação do seu consumo ocorre nos semestres finais do curso devido ao aumento da carga horária e das dificuldades enfrentadas. A análise evidenciou variações importantes no consumo de álcool (AUDIT) e religiosidade/espiritualidade (EAR) entre estudantes universitários segundo curso, semestre, idade, sexo, estado civil, renda, trabalho e religião. Destacaram-se maior consumo nos cursos de Fisioterapia e Medicina e nos 2º e 5º anos, além da tendência decrescente de uso com o avançar da idade. O grupo evangélico apresentou menor AUDIT e maior EAR, indicando forte papel protetor da religiosidade. Não houve diferença significativa de consumo entre sexos. Estudantes que trabalham, casados e com maior religiosidade mostram menor consumo de álcool. Aproximadamente 32,5% apresentaram padrões preocupantes de uso, demandando intervenções preventivas. Nas abordagens qualitativas, o álcool na escola médica foi tido como ritualizado atuando como coping negativo, com jovens pressionados socialmente, já a religiosidade pode atuar como suporte protetor. Esses achados destacam a importância de abordagens éticas sobre álcool e religiosidade, promovendo saúde, respeito e apoio psicológico aos estudantes universitários.

Palavras-chave


álcool; estudantes de ciências da saúde; religiosidade e espiritualidade; fatores biopsicossocial.

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DOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10894

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