Investigação da capacitação dos professores na promoção de saúde e educação sexual de adolescentes nas escolas públicas do Distrito Federal

Paulo Henrique Takatsu de Oliveira, Ana Beatriz Dourado Gomes, Fabiana Xavier Cartaxo Salgado

Resumo


A educação sexual nas escolas contribui de forma positiva para a vida dos adolescentes nos aspectos pessoal e social, ajudando-os a desenvolver habilidades e valores éticos que os capacitam a tomar decisões saudáveis e respeitosas. Entretanto, ainda existe resistência à abordagem de temas relacionados à saúde sexual no ambiente escolar, motivada por estigmas sociais e concepções retrógradas que limitam o diálogo. Este projeto teve como objetivo investigar a capacitação dos professores na promoção de saúde e educação sexual de adolescentes nas escolas públicas do Distrito Federal. Trata-se de estudo de campo, transversal, exploratório e descritivo, realizado entre abril e junho de 2025, por meio de questionário estruturado e validado, contendo 39 questões (37 fechadas e 2 abertas), aplicado no ambiente escolar. Foram incluídos professores do ensino fundamental II (6º ao 9º ano), responsáveis por ministrar aulas de educação sexual previstas na Base Nacional Comum Curricular, com mais de um ano no cargo. Foram excluídos os que não aceitaram participar ou não responderam após cinco tentativas. A pesquisa foi aplicada em 23 escolas e respondida por 37 professores de ciências. A mediana etária foi de 39 anos, com predominância do sexo masculino (51,35%), solteiros (54,05%), religião católica (40,54%), graduado em licenciatura (56,7%) e tempo de docência de 6 a 10 anos (27,02%). Cerca de 51,35% afirmaram que a educação sexual está presente no projeto educativo escolar, e 97,3% consideraram o tema muito importante. A maioria (56,76%) negou ter formação específica no tema de sexualidade, e mesmo que 48,65% se declarem aptos para a abordagem, 72,97% relatam dificuldades/constrangimento na execução do tema com os alunos. Os docentes relataram que acreditam que os alunos buscam informações sobre sexualidade principalmente com primos (70,27%), colegas (97,30%) e na internet (100%), não recorrendo ao serviço de saúde (0%). Nossos achados orientam que a consolidação da educação sexual nas escolas, depende do envolvimento não somente dos professores, mas da família e efetivamente do apoio institucional. Reforçam a necessidade de estratégias públicas que garantam uma formação inicial e continuada dos educadores na abordagem da sexualidade nas escolas, sobretudo quando consideramos o distanciamento dos jovens dos serviços de saúde. Informações abordando a educação sexual entre adolescentes, pode ser considerado um instrumento de cidadania, de respeito à diversidade e de garantia dos direitos humanos. Nesse sentido, a figura dos professores é considerada essencial, consolidando assim, a escola como espaço de aprendizado seguro, eficaz, ético e esclarecedor sobre saúde.

Palavras-chave


educação sexual; saúde sexual; adolescentes; escolas.

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DOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10888

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