O jogo de imagem e ação a interpretação dos sonhos na psicanálise
Resumo
A presente pesquisa investigou a interseção entre o jogo "Imagem e Ação" e a teoria psicanalítica da interpretação dos sonhos, buscando estabelecer um modelo analógico para a compreensão dos mecanismos do inconsciente. Partindo da tradição de Freud e Lacan de utilizar jogos como metáforas para a clínica, o estudo propôs que o jogo contemporâneo "Imagem e Ação" pode funcionar como uma ferramenta didática para elucidar os conceitos de censura, conteúdo manifesto e latente, e o trabalho do sonho. A metodologia qualitativa empregada, guiada pela ética psicanalítica, permitiu uma análise aprofundada das regras e dinâmicas do jogo em paralelo com os conceitos freudianos de condensação, deslocamento e figurabilidade. Os resultados revelam homologias significativas, onde as restrições comunicativas do jogo, como a proibição de fala ou escrita, se assemelham à censura onírica, enquanto as estratégias de representação (desenho e mímica) espelham a linguagem pictográfica do sonho. O processo de adivinhação da equipe, por sua vez, é visto como uma representação da associação livre, fundamental para o desvendamento do conteúdo latente. O estudo conclui que a dinâmica lúdica do "Imagem e Ação" não apenas ilustra de forma concreta e acessível os processos de formação do sonho, mas também se configura como um valioso recurso para a formação de analistas. Ao vivenciar a urgência da interpretação, a resistência e a busca por vias simbólicas de comunicação, os participantes do jogo experimentam de maneira encarnada as mesmas tensões que regem a escuta clínica.
Palavras-chave
Psicanálise; Teoria dos Jogos; Interpretação dos sonhos; Inconsciente
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PDFDOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10800
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