Sobrevida e avaliação de fatores prognósticos em pacientes com mieloma múltiplo
Resumo
O Mieloma Múltiplo (MM) é uma neoplasia maligna de plasmócitos que representa 10%
dos cânceres hematológicos. Caracterizado pelo acúmulo de células clonais na medula
óssea, ele causa danos teciduais em pacientes sintomáticos. Este estudo teve como
objetivo geral investigar a relação entre o perfil demográfico, os aspectos clínicos,
laboratoriais e de imagem, e a sobrevida dos pacientes, buscando identificar fatores
prognósticos da doença. Foi realizado um estudo de coorte retrospectiva, analisando
prontuários de 114 pacientes diagnosticados entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024.
Os dados coletados foram submetidos à análise estatística descritiva e inferencial
utilizando o software IBM SPSS Statistics, com a aplicação de testes como o de Kaplan-
Meier, Log-Rank e regressão de Cox para avaliar a sobrevida. O diagnóstico de mieloma
múltiplo foi confirmado em 114 indivíduos, com uma idade mediana de 61 anos,
alinhada com a literatura nacional. A amostra apresentou um equilíbrio entre os sexos,
com 49,1% de homens e 50% de mulheres. Notou-se uma predominância de indivíduos
pardos (84,2%), um resultado que difere acentuadamente dos estudos norteamericanos.
As manifestações clínicas mais comuns foram dor óssea (57,8%) e fratura
patológica (31,5%), com taxas superiores às encontradas em outras populações.
Sintomas sistêmicos como fadiga (31,5%) e perda de peso (24,5%) foram compatíveis
com a literatura. Exames laboratoriais revelaram uma alta prevalência de anemia no
momento do diagnóstico, com mediana de hemoglobina de 9,97 g/dL. Outros achados
relevantes incluíram hipercalcemia em 36,8% dos casos e leucopenia em 14,4%,
compatíveis com a literatura. A avaliação de marcadores de atividade tumoral também
demonstrou resultados notáveis, como a Desidrogenase Láctica (DHL) elevada em 71,2%
dos pacientes analisados. Na eletroforese de proteínas, a frequência de pico monoclonal
na região de gamaglobulinas (39,7%) foi inferior a estudos de referência, o que pode
indicar inconsistências no registro. O estadiamento revelou que a maioria dos pacientes
foi diagnosticada em estágios avançados (Estágio III), com 74,4% no sistema de Durie &
Salmon e 45,5% no ISS, refletindo um desafio no diagnóstico precoce. No entanto, a taxa
de sobrevida ao final do estudo foi de 69,3%, similar aos achados de outros estudos
nacionais. A alta proporção de pacientes diagnosticados em estágios avançados da
doença ressalta a necessidade de aprimorar as estratégias de detecção precoce. As
discrepâncias com a literatura internacional, como a elevada taxa de fraturas
patológicas e a frequência de hipoalbuminemia, apontam para particularidades da
população brasileira, possivelmente relacionadas a fatores genéticos, ambientais ou à
acessibilidade aos serviços de saúde. Entretanto, na comparação das características
clínicas, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os
grupos para nenhuma das variáveis avaliadas. Apesar das limitações de um estudo
retrospectivo, a análise da sobrevida dos pacientes oferece informações valiosas que
podem contribuir para o aprimoramento das políticas de saúde, visando a um manejo
mais eficaz e à melhoria da qualidade de vida e sobrevida dos pacientes.
Palavras-chave
Texto completo:
PDFDOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10915
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