Situação epidemiológica da sífilis adquirida, sífilis em gestantes e sífilis congênita no Brasil, na região Centro-Oeste e no Distrito Federal no período de 2013 a 2023

Manuela Padula Jannuzzi Vianna, Mariana Marques Coelho, Gerson Fernando Mendes Pereira, Fabiana Xavier Cartaxo Salgado

Resumo


A sífilis é uma infecção bacteriana sistêmica que demanda esforços contínuos e estratégicos para sua prevenção e controle. Embora a principal via de transmissão seja a sexual, a infecção também pode ser transmitida verticalmente, em qualquer fase da gestação ou durante o parto, resultando na sífilis congênita. Este estudo teve como objetivo descrever a evolução dos casos de sífilis no Brasil, com foco na região Centro-Oeste e no Distrito Federal, no período de 2013 a 2023, segundo características sociodemográficas e indicadores operacionais, a fim de propor estratégias de prevenção alinhadas à possibilidade de alcance da meta 3.3 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030. Trata-se de uma pesquisa descritiva em que foram utilizados o Boletim Epidemiológico e o Painel de Indicadores e Dados Básicos de Sífilis, publicados pelo Ministério da Saúde. Como meios de fundamentação teórica, utilizaram-se as bases de dados PubMed e Scielo, por meio dos descritores “syphilis AND prevention”, “syphilis AND Brazil”, “acquired syphilis AND Brazil” e “syphilis AND history”. O estudo demonstrou que as taxas de detecção de sífilis adquirida, sífilis em gestantes e sífilis congênita mantiveram-se em crescimento em toda a série histórica no país. Apesar dos avanços na vigilância epidemiológica e da ampliação das coberturas de pré-natal, ainda persistem falhas na efetividade de importantes estratégias, contribuindo para a permanência da doença na comunidade. Destacam-se a utilização de outros esquemas terapêuticos ou mesmo ausência de tratamento da sífilis, além de cuidados pré-natais falhos e baixo percentual de alcance das parcerias sexuais das gestantes para efetivo tratamento. Logo, é imprescindível a implementação de políticas públicas mais eficazes, com foco na educação sexual precoce, fundamentada em uma abordagem centrada na pessoa e em suas práticas sexuais, e na capacitação contínua dos profissionais da atenção primária à saúde, visando o diagnóstico precoce e à assistência à saúde de qualidade. Os dados reforçam que o Brasil está cada vez mais distante de alcançar a meta estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), que visa combater doenças como a sífilis. Esse cenário demanda ações mais assertivas e integradas para o controle da doença e a interrupção de seu ciclo de transmissão, que passa necessariamente pela qualificação do pré-natal. Cabe mencionar que o enfrentamento da sífilis como um desafio persistente à saúde pública no Brasil exige a integração de ações da vigilância em saúde, da atenção básica e de políticas intersetoriais, garantindo respostas mais resolutivas e efetivas no controle dessa doença.

Palavras-chave


sífilis; transmissão vertical; prevenção.

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DOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10914

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