Perfil dos marcadores laboratoriais de pacientes admitidos com infecção por SARS-COV-2 em hospitais do Distrito Federal e sua importância prognóstica (seguimento)
Resumo
A pandemia de COVID-19, causada pelo SARS-CoV-2, representou um desafio sem precedentes para a saúde pública mundial, sobrecarregando unidades hospitalares, especialmente as UTIs. A mortalidade elevada entre pacientes críticos evidenciou a necessidade de identificar fatores associados ao desfecho clínico, incluindo variáveis demográficas, comorbidades, suporte ventilatório, infecções secundárias e biomarcadores laboratoriais. Estudos prévios indicam que idosos e indivíduos com doenças crônicas, como diabetes mellitus, hipertensão arterial, obesidade e doença renal crônica, apresentam maior risco de mortalidade, enquanto o uso de ventilação mecânica invasiva está associado a prognóstico desfavorável, com taxas de óbito superiores a 80% em algumas coortes. Biomarcadores laboratoriais, como linfopenia, plaquetopenia, elevação de ferritina, proteína C reativa (PCR), dímero-D e alterações na coagulação, têm se mostrado preditores de inflamação exacerbada, disfunção endotelial e eventos trombóticos. Este estudo retrospectivo e observacional analisou prontuários de 210 pacientes internados por COVID-19 em UTI, com idade média de 60 anos e predominância masculina. Os pacientes foram acompanhados até alta hospitalar ou óbito, sendo classificados em dois grupos: Alta (n=146) e Óbito (n=64). Foram coletadas variáveis demográficas, clínicas, assistenciais e laboratoriais, incluindo idade, sexo, tempo de internação, comorbidades, necessidade de ventilação mecânica, realização de culturas microbiológicas, infecção secundária e marcadores inflamatórios e de coagulação. A análise estatística incluiu comparação entre grupos e cálculo de odds ratio (OR) com intervalo de confiança de 95%. A taxa de mortalidade observada foi de 30,4%, inferior a algumas séries multicêntricas, mas ainda elevada em comparação a populações não críticas. O uso de ventilação mecânica apresentou forte associação com óbito, estando presente em 60% dos pacientes que não sobreviveram. Comorbidades como diabetes mellitus tipo 2 (OR=1,51) e doença renal crônica (OR=1,75) mostraram tendência a maior risco de óbito, embora sem significância estatística, possivelmente devido ao tamanho da amostra. Hipertensão e obesidade não apresentaram associação direta com desfecho adverso. Pacientes que evoluíram a óbito exibiram níveis mais elevados de ferritina, fibrinogênio e dímero-D, além de linfopenia e plaquetopenia, corroborando sua relação com inflamação exacerbada e hipercoagulabilidade. Eventos tromboembólicos foram frequentes, destacando tromboembolismo pulmonar (53,8%), trombose venosa profunda (25,6%) e acidente vascular cerebral (23,1%). Infecções secundárias foram observadas em 60,2% dos pacientes, com predomínio de Candida albicans (11,7%) e Klebsiella pneumoniae (11,3%). Os achados reforçam que a combinação de variáveis clínicas, laboratoriais e assistenciais deve ser considerada para estratificação de risco em pacientes críticos com COVID-19. A identificação precoce de fatores de risco permite direcionar intervenções, otimizar recursos e melhorar a qualidade do cuidado em saúde. Estudos multicêntricos com maior número de pacientes são necessários para consolidar as evidências e orientar protocolos futuros, contribuindo para a gestão eficiente de pacientes graves em epidemias respiratórias.
Palavras-chave
covid-19; sars-cov-2; sepse.
Texto completo:
PDFDOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10900
Apontamentos
- Não há apontamentos.
