Isotretinoína oral e saúde mental: explorando a relação entre o tratamento da acne e o bem-estar psicológico
Resumo
A acne vulgar consiste em uma doença dermatológica inflamatória extremamente comum na população geral, apresentando maior prevalência na parcela mais jovem da sociedade. A patogênese desta enfermidade é multifatorial e pode envolver a síntese exacerbada de citocinas inflamatórias, a colonização bacteriana da pele, a hipersecreção sebácea e alterações queratinização cutânea. Ainda, seus efeitos estéticos podem gerar importantes repercussões biopsicossociais, de modo a evidenciar a importante necessidade de um manejo eficaz contra essas lesões acneicas. Nesse sentido, a isotretinoína se apresenta como um derivado da vitamina A (retinol) com ação farmacológica capaz de reduzir a sebogênese e a queratinização folicular típicas da acne vulgar. Esse medicamento, apesar de extremamente eficaz, se apresenta de modo controverso a respeito de eventuais repercussões psíquicas em indivíduos que o utilizam. Diante disso, ressalta-se o intuito deste projeto de investigar a possível associação entre o uso de isotretinoína e alterações do bem-estar mental dos pacientes. Foi realizado, então, nesta pesquisa, um estudo qualitativo longitudinal e observacional que analisou a relação supracitada através de um formulário eletrônico divulgado em meios digitais para a população geral. Diante das informações obtidas, observou-se que 25,2% dos participantes consideraram a ocorrência de alterações negativas em sua saúde mental devido a utilização deste remédio, o qual é recomendado, entretanto, por 94% daqueles que responderam ao formulário. Ainda, verificou-se que 12,2% referiram perceber piora de sua saúde mental, apesar da melhora da acne gerada pela isotretinoína. Apesar disso, 97,7% das pessoas informaram melhora significativa da acne e a maioria dos pacientes negaram o impacto psiquiátrico negativo decorrente deste remédio. Assim, a partir dos dados supracitados, evidencia-se clinicamente a efetividade da isotretinoína na redução das lesões acneicas, além da melhora estética dos pacientes. Nesse sentido, reforçam-se os impactos positivos para sua saúde mental promovidos por essa medicação. Ademais, esses achados ratificam a elevada eficácia da isotretinoína no controle da acne, com notáveis repercussões psicossociais e baixa incidência de efeitos adversos psíquicos associados diretamente ao fármaco.
Palavras-chave
isotretinoína; acne; saúde mental.
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PDFDOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10891
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