Gerenciamento da dor em cuidados paliativos: uma revisão de literatura abrangente das abordagens farmacológicas e não farmacológicas

Mariana Cartaxo, Marcela de Andrade Silva Miranda, Lílian Silva de França

Resumo


A dor crônica em pacientes oncológicos, frequentemente acompanhada por fadiga, distúrbios do sono, ansiedade, depressão, estresse e medo de recorrência, afeta significativamente sua qualidade de vida. Em pessoas com multimorbidade — presença de múltiplas condições crônicas — os prejuízos são ainda maiores, impactando tanto o estado funcional quanto o emocional. A dor oncológica, reconhecida como uma experiência sensorial e emocional desagradável, possui forte componente psicossocial. Além disso, os efeitos adversos dos tratamentos podem agravar sintomas físicos e emocionais, como distúrbios do sono, fadiga e disfunção cognitiva. A interferência nas atividades diárias, no sono e no humor é considerável. Reações adversas ao tratamento podem causar limitações físicas, que alimentam problemas psicológicos. Intervenções como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) demonstram eficácia na redução da incapacidade e na melhora do funcionamento físico em pacientes com dor crônica. No entanto, a melhora na capacidade laboral pode ser limitada, levantando preocupações com o presenteísmo. Distúrbios do sono são frequentes nesses pacientes. Estudos com Redução de Estresse Baseada em Mindfulness (MBSR) não demonstraram melhora consistente na qualidade do sono, especialmente quando a duração da intervenção é curta. Quanto ao estado emocional, ansiedade, depressão e medo de recorrência estão fortemente associados à piora da qualidade de vida. A MBSR pode atenuar esses sintomas, melhorando o estado emocional, mas sua eficácia a longo prazo pode ser reduzida pelo aumento progressivo de efeitos adversos do tratamento. Além disso, níveis elevados de dor e depressão prévios à intervenção diminuem sua efetividade. A TCC, por sua vez, se mostra eficaz no manejo do estresse, reduzindo afastamentos e promovendo o retorno ao trabalho. O sofrimento emocional do paciente oncológico afeta diretamente seus familiares e cuidadores. O reconhecimento do papel do cuidador, especialmente em contextos de multimorbidade, é essencial para compreender os desfechos clínicos e a sobrecarga familiar, sendo necessário avaliar suas experiências conjuntamente com as dos pacientes. O manejo adequado da dor e de comorbidades como a depressão é um objetivo central dos cuidados paliativos. A integração entre saúde mental e cuidados paliativos deve ser guiada por estratégias sistematizadas de rastreamento e intervenção. Intervenções baseadas em TCC favorecem o retorno ao trabalho, ao passo que alternativas como a toxina botulínica tipo A (BTX-A) têm mostrado bons resultados no alívio da dor com poucos efeitos adversos. Já os opioides, apesar de eficazes para dor intensa, apresentam riscos significativos de efeitos colaterais e dependência. Em síntese, a dor crônica em pacientes com doenças avançadas é multifatorial e exige uma abordagem integrada, que considere seus aspectos físicos, emocionais e sociais. O controle efetivo da dor e de seus impactos psicológicos não só melhora o conforto,
como também resgata a dignidade e o sentido de vida dos pacientes e de seus entes queridos.


Palavras-chave


dor crônica; multimorbidade; cuidados paliativos ; intervenções psicológicas; qualidade de vida

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DOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10884

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