Existe correlação entre disfunção autonômica e Síndrome de Sjogren? - uma revisão da literatura

Gustavo Almeida Granja, Giovana Campista Ciattei, Fernando Ferreira de Souza

Resumo


A disfunção autonômica (DA) tem sido progressivamente encontrada como uma manifestação extraglandular relevante na Síndrome de Sjögren primária (pSS), condição autoimune sistêmica tradicionalmente caracterizada por xeroftalmia e xerostomia. Diante da diversidade de sintomas autonômicos relatados por pacientes com pSS entre eles fadiga crônica, hipotensão ortostática, disfunções gastrointestinal e urinária esta revisão sistemática tem como objetivo investigar e revisar sistematicamente a evidência disponível na literatura médica relativa a essa associação. Com esse objetivo, foi realizada uma busca estruturada nas bases MEDLINE-PubMed e Embase por estudos publicados até 2024, em qualquer idioma, que abordassem a associação entre Síndrome de Sjogren primária e disfunção autonômica. A busca nas bases de dados encontrou 768 artigos, sendo 26 desses considerados elegíveis após screening primário e secundário e incluídos na presente revisão. Os métodos de avaliação da DA variaram amplamente entre os estudos, incluindo testes fisiológicos (HRV, tilt-test, Valsalva), questionários validados (COMPASS-31, ASP) e exames farmacológicos. As prevalências relatadas de DA oscilaram de 19% a 54,6%, sendo os sintomas mais comuns a fadiga, disfunção vasomotora, gastrointestinal e sudomotora. Estudos como os de Koh et al. (2016) e Mandl et al. (2010) revelaram forte correlação entre disfunção autonômica e maior gravidade de sintomas sistêmicos, especialmente fadiga e dor, além de impacto negativo em qualidade de vida, proposto por escores reduzidos em instrumentos de avaliação da qualidade de vida. Foram também observadas correlações entre DA e marcadores de atividade inflamatória, fenômeno de Raynaud e presença de autoanticorpos. Por outro lado, alguns estudos não encontraram diferenças significativas entre pacientes e controles saudáveis, sugerindo que a variabilidade nos critérios diagnósticos e métodos aplicados pode comprometer a comparabilidade dos resultados. Conclui-se que, embora evidências disponíveis sugiram associação potencialmente relevante entre DA e pSS, a ausência de padronização nos protocolos avaliativos e a predominância de delineamentos transversais ainda torna inviável que os dados de prevalência dessa associação sejam analisados em conjunto. Ainda assim, é possível que a disfunção autonômica na pSS possa ser parte significativa do espectro clínico da doença, com implicações diretas na sua gravidade, no bem-estar dos pacientes e na efetividade das abordagens terapêuticas. Dessa forma, o desenvolvimento de diretrizes diagnósticas padronizadas, aliado a estudos observacionais de maior escopo , é fundamental para o entendimento apropriado e elucidação de questões associadas a possível correlação entre essas condições, seu real impacto e prevalência.

Palavras-chave


Síndrome de Sjögren; disautonomia; disfunção autonômica.

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DOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10882

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