Avaliação da contaminação microbiológica de bases faciais comercializadas em ambiente virtual
Resumo
A crescente popularização do comércio eletrônico tem ampliado significativamente a oferta de cosméticos, especialmente bases faciais, o que suscita preocupações acerca da segurança microbiológica desses produtos. O presente estudo teve como objetivo avaliar a contaminação microbiológica de bases faciais comercializadas em ambiente virtual, com o intuito de contribuir para a garantia da qualidade e segurança dos cosméticos disponibilizados no mercado digital. Para tanto, realizou-se uma pesquisa analítica e transversal, na qual foram coletadas 8 amostras de bases faciais de diferentes formulações adquiridas por meio de plataformas online. As amostras foram submetidas a análises microbiológicas laboratoriais para a quantificação de bactérias aeróbias totais, bem como para a detecção de microrganismos específicos de interesse sanitário, tais como Staphylococcus aureus e Escherichia coli, considerados indicadores importantes para a avaliação da higiene e segurança dos produtos. Posteriormente as bases foram colocadas em uso por 60 dias, sendo avaliadas a cada 15 dias. Os resultados revelaram variações na presença de microrganismos entre bases lacradas e aquelas em uso, além de diferenças relacionadas às texturas, sendo que as bases em pó foram as que apresentaram maior contaminação. A detecção de S. aureus foi observada em algumas amostras pós uso, evidenciando a necessidade de maior cuidado diante do manuseio e acondicionamento das bases depois de abertas. Adicionalmente, foram identificadas enterobactérias em algumas amostras, dentre elas E. coli, e houve destaque para a presença de Staphylococcus coagulase negativo, microrganismos que merecem atenção devido ao seu potencial oportunista. Nas bases lacradas, a principal morfologia bacteriana identificada foi a de bacilos Gram-positivos, geralmente associados a contaminantes ambientais. Embora os produtos analisados estivessem, em geral, dentro dos parâmetros microbiológicos estabelecidos pela legislação vigente, os resultados ressaltam a importância do armazenamento adequado e do correto manuseio das bases faciais para a proteção da saúde dos consumidores. Observou-se, ainda, que mesmo com medidas apropriadas de assepsia dos aplicadores, as bases continuam suscetíveis à contaminação. Dessa forma, este estudo reforça não apenas a relevância de investigações contínuas e da conscientização sobre a microbiologia dos cosméticos, mas também evidencia que as bases faciais estão sujeitas à contaminação mesmo dentro do prazo de validade e com cuidados de assepsia, configurando-se como um potencial disseminador de microrganismos de risco no uso cotidiano.
Palavras-chave
contaminação microbiológica; bases faciais; cosméticos; staphylococcus aureus; escherichia coli.
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PDFDOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10838
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