Avaliação da cobertura vacinal dos estudantes do curso de medicina de uma instituição privada

Luiza Letti Ferronatto, Beatriz Araujo Goncalves Coelho, Rodrigo dos Santos Lima

Resumo


A vacinação é uma das estratégias mais eficazes na prevenção de doenças imunopreveníveis, especialmente entre profissionais e estudantes da área da saúde, que estão constantemente expostos a agentes infecciosos durante sua formação e prática clínica. Este estudo teve como objetivo avaliar a situação vacinal de estudantes de Medicina de uma instituição privada do Distrito Federal, identificando a frequência de imunização de acordo com o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e os fatores relacionados à não vacinação. Foi conduzida uma pesquisa transversal, descritiva, com abordagem quantitativa e qualitativa, entre agosto de 2024 e julho de 2025, envolvendo 90 estudantes de diferentes semestres do curso. A coleta de dados foi realizada por meio de questionários e análise documental dos cartões vacinais enviados pelos participantes. Foram avaliadas as vacinas hepatite A, hepatite B, tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), tétano, febre amarela, meningocócicas C e ACWY, influenza (campanha 2024) e COVID-19. Os resultados revelaram lacunas significativas: 67,5% dos estudantes não possuíam nenhuma dose de hepatite A, 92,8% não tinham registro da meningocócica ACWY e 26,5% não foram vacinados contra influenza em 2024. Apenas três participantes apresentaram esquema vacinal completo para todos os imunizantes analisados. Apesar disso, 83,3% declararam estar com a vacinação em dia e 94,4% afirmaram sentir-se protegidos para atuar em ambientes hospitalares. Entre os que se consideravam totalmente vacinados, somente 20% possuíam registro documental compatível. A principal justificativa para a ausência de vacinas foi a “indisponibilidade na época adequada”, seguida por “desconhecimento do motivo”. Observou-se que estudantes com pais atuantes na área da saúde apresentaram maior taxa de cobertura vacinal completa (24,2%) em comparação aos demais (14%). Também foi identificada melhor situação vacinal entre aqueles em semestres mais avançados, especialmente no internato, possivelmente relacionada ao maior contato com a prática clínica e conscientização sobre riscos ocupacionais. Entretanto, 63,3% dos participantes reconheceram déficit de informação sobre imunização durante a formação, e 57,8% relataram ausência de instrução clara sobre vacinas e reforços necessários. Conclui-se que há uma discrepância relevante entre a percepção dos estudantes sobre sua proteção imunológica e a situação real constatada por meio dos registros vacinais. A identificação dessas lacunas permite orientar estratégias de educação em saúde, promover campanhas direcionadas e estimular a adesão às vacinas recomendadas para profissionais da área. Dessa forma, reforça-se a importância de manter esquemas vacinais completos, garantindo proteção individual e contribuindo para a prevenção de surtos e redução da transmissão de doenças imunopreveníveis no ambiente acadêmico e assistencial.

Palavras-chave


cobertura vacinal; saúde do estudante; programa de saúde ocupacional.

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DOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10837

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