Narrativas dos massacres e os "dois lados" da guerra no fantástico: um estudo sobre a cobertura do conflito Israelhamas em Outubro de 2023
Resumo
Este trabalho teve como objetivo principal analisar como o programa Fantástico, da TV Globo, retratou o conflito entre Hamas e Israel no mês de outubro de 2023, investigando se houve parcialidade na construção da narrativa. Foram observados inicialmente 33 vídeos (entre notícias e reportagens) veiculados na atração jornalística, somando-se todos os domingos, dia em que o Fantástico foi ao ar no período da amostra. De todos esses materiais foram utilizadas como critério de exclusão reportagens com tempo inferior a 5 minutos, assim totalizando 22 reportagens (que são aqueles conteúdos mais aprofundados do que as notícias). Optamos por uma metodologia de análise de conteúdo a fim de utilizar procedimentos sistemáticos e objetivos para descrever e interpretar o conteúdo das mensagens, permitindo uma leitura crítica dos discursos veiculados na mídia, no caso as narrativas jornalísticas. A partir dessa lógica, passamos a analisar sistematicamente cada um dos conteúdos, observando os seguintes passos; descrição da reportagem; fontes de informação; as fontes e a valência atribuída; as versões dos dois lados da história e os principais termos utilizados e quais termos foram utilizados para atribuir cada perspectiva; o tempo para cada lado; a passagem do repórter, e comentários sobre as imagens impactantes. Um dos principais achados diz respeito à prevalência de fontes vinculadas ao governo israelense e seus aliados ocidentais, conferindo menor espaço e menor credibilidade às fontes palestinas. Tal assimetria pode impactar diretamente a percepção do público sobre o conflito, reforçando a centralidade da dor israelense e marginalizando o sofrimento da população palestina.
Palavras-chave
telejornalismo; cobertura de guerra; Fantástico.
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PDFDOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10806
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