Netanyahu e a crise humanitária em Gaza: a sociedade civil palestina no alvo

Guilherme do Prado Afonso Rodrigues, Victória Tezelli Moura Barbosa, João Paulo Santos Araújo

Resumo


Este trabalho de iniciação científica teve como objetivo analisar a narrativa do Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em relação às vidas civis palestinas na Faixa de Gaza, respondendo à pergunta central: Netanyahu se preocupa com as vidas civis inocentes de palestinos na Faixa de Gaza? A pesquisa se apoiou em Teorias de Relações Internacionais, incluindo o Neorrealismo de Waltz (1959), na Análise de Política Externa (Hill, 2016; Rosati, 1995), na teoria da securitização de Wæver (1995) e majoritariamente na Análise de Discursos (Van Dijk, 2008; Fairclough, 1989), para compreender como a linguagem política constrói realidades, legitima ações e molda percepções sobre conflitos. O estudo foi estruturado em três subtópicos principais. No primeiro, “A construção do inimigo”, observou-se que Netanyahu associa o Hamas à totalidade de Gaza, generalizando a ameaça entre combatentes e civis. Essa associação transforma a população civil em parte integrante do inimigo, configurando uma narrativa securitizadora que legitima medidas militares não usuais. Tal construção se sustenta em esquemas cognitivos que filtram informações e consolidam uma visão limitada do conflito. No segundo subtópico, “A estrutura discursiva”, evidenciou-se o uso sistemático de linguagem carregada emocionalmente e com uma hierarquização moral, projetando Israel como ético e superior, enquanto o Hamas e civis palestinos são inferiorizados. As escolhas lexicais e retóricas reforçam categorias cognitivas que legitimam a hostilidade, funcionando como mecanismos de poder simbólico e controle narrativo. Por fim, no terceiro subtópico, “A preocupação de Netanyahu acerca das vidas civis palestinas”, constatou-se que a aparente preocupação é superficial e condicionada. Israel desloca integralmente a responsabilidade por vítimas civis para o Hamas, ignorando obrigações legais, conforme a Convenção de Genebra IV (1949) e o Estatuto de Roma do TPI (2002). Essa retórica promove a marginalização e desumanização da população palestina, negando atributos essenciais da condição humana, como autonomia moral e empatia. Em síntese, os resultados indicam que a retórica de Netanyahu funciona como mecanismo de legitimação das ações militares e de consolidação do poder simbólico de Israel, ao mesmo tempo em que desumaniza civis palestinos e minimiza a responsabilidade do Estado. Este estudo contribui para compreender a interseção entre discurso político, securitização e desumanização em contextos de conflito, abrindo caminhos para futuras pesquisas sobre narrativa política, percepção de ameaça e responsabilidade internacional.

Palavras-chave


Israel; faixa de Gaza; Hamas; Benjamin Netanyahu; Análise de Discursos;

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DOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10803

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